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Meu texto no A Tarde de hoje

A heteronormatividade e o teatro baiano

 

Leandro Colling – professor da UFBA

 

Avental todo sujo de ovo, Bevabbé, Diário de um sedutor, Caso sério, Bicha Oca, Todas as horas do fim, O melhor do homem. Quem acompanha o teatro baiano sabe que esses são títulos de peças que estiveram em cartaz em Salvador nos últimos tempos e que todas têm uma característica em comum: possuem personagens não-heterossexuais, travesti (a primeira), lésbica (a segunda) e gays (as demais). O melhor do homem, inclusive, re-estréia dia 6 de agosto, na Sala do Coro, depois de uma bem sucedida temporada no Teatro Martin Gonçalves.

E como as homossexualidades são representadas nessas peças? Essas obras reforçam ou subvertem o conjunto de normas que a sociedade criou para regular a nossa sexualidade? Estaria o teatro baiano construindo uma representação das homossexualidades diferente da que tem sido construída pela TV? E, aproveitando a re-estréia de O melhor do homem, o que essa peça traz de diferente em relação às demais?

Uma característica que une essas peças é a infelicidade dos seus personagens homossexuais. Nenhum deles está feliz com a sua sexualidade. A travesti porque a família não a aceita, a lésbica quer virar heterossexual e os gays são melancólicos, frustrados com o mundo, quando não portadores do vírus HIV. Por outro lado, todos os personagens são humanizados e não temos nessas peças o estereótipo da “bicha louca”, produtor de risos perversos do e no telespectador, comum em muitos programas de TV. A humanização fica evidente na construção de personagens com histórias de vidas complexas, que convidam a platéia a compreender os seus dilemas e tristezas.

Heteronormatividade

E O melhor do homem? Essa peça, com direção de Djalma Thürler, faz algo que as demais listadas aqui não fazem: implode a heteronormatividade de dentro dela própria. Heteronormatividade é o nome dado para o conjunto de normas construídas para enquadrar todos os corpos, relações, vidas dentro de uma matriz heterossexual. Essas normas incidem sobre todos. Por causa delas, o gay que se comporta de uma forma parecida com o heterossexual é mais bem aceito na sociedade. Personagens inscritos dentro dessa matriz também são os mais bem aceitos pelos telespectadores das telenovelas brasileiras. Quanto mais a pessoa se afasta das normas, mais preconceito ela sofre. Isso explica boa parte da violência contra travestis, gays afeminados e lésbicas masculinizadas.

Enquanto as outras peças listadas aqui criticam, ao seu modo, a heteronormatividade do ponto de vista da travesti, da lésbica ou do gay, O melhor do homem faz isso a partir do macho. E o que poderia ser a reafirmação da heteronormatividade se transforma em uma implosão dela própria. Esse talvez seja, do ponto de vista da representação das homossexualidades, o maior mérito e diferencial da peça protagonizada pelos atores Duda Woyda e Gláucio Machado. Nessa peça é o macho absurda e doentiamente heteronormativo que, a partir dele próprio, problematiza o quão cruel, nefasta e assassina é a heteronormatividade. E essa talvez seja uma das principais razões da emoção produzida ao final do espetáculo.

 

O Melhor do Homem/ Sala do Coro/6 de agosto a 5 de setembro (sexta a domingo)/às 20h/R$ 30 e R$ 15 (meia)



 Escrito por Leandro às 12h35
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Texto meu no A Tarde

Pessoas.


O Caderno 2, do jornal A Tarde, de hoje (23.3) publicou esse texto meu. Escrevi o texto em regime de urgência urgentíssima, como é típico do jornalismo atual. Foi uma tentativa de "traduzir", em pouquíssimas linhas, para o grande público, a tese da performatividade de gênero, de Butler.

Um abraço, Leandro

Uma guerra de gêneros
Leandro Colling

Professor da Universidade Federal da Bahia e coordenador do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade

Muitas pessoas que já escreveram sobre o BBB 10 disseram que o objetivo de fazer uma edição da diversidade sexual não foi alcançado porque Dourado, ao que tudo indica, é o participante mais “popular” do programa e é o grande favorito ao prêmio. Penso que, talvez, essa seja uma análise um pouco precipitada porque ela pressupõe, então, que a diversidade seria respeitada, ou melhor, que na diversidade não existem conflitos.

Ora, o que ocorre dentro e fora das telas é exatamente o oposto. Diversidade cultural (seja ela de gênero ou de qualquer outra “categoria”) nunca foi, infelizmente, sinônimo de respeito à diversidade, de convivência pacífica entre os diferentes. Por isso, não deveria nos causar tanta estranheza as reações dos participantes e também a reação dos telespectadores.

E não são apenas os telespectadores machistas e homofóbicos que estão reagindo e se identificando no programa através de Dourado. Dicesar, ao contrário do que parece à primeira vista, também tem muitos seguidores, pois já participou de vários paredões e até o momento não foi eliminado.

Na realidade, no BBB 10 está ocorrendo uma grande guerra de gêneros (e não de sexos), algo que não ocorreu nas edições anteriores. Dourado representa o “macho homem” e Dicesar, talvez para espanto de algumas mulheres e feministas, representa a “mulher”. O maquiador é quem mais se aproxima da representação feminina no programa. Ele é tão ou mais mulher do que as demais mulheres que estão ou já passaram pelo programa. E causa tanta estranheza perante Dourado e seus seguidores porque o seu sexo biológico não é compatível com o que a nossa cultura atribuiu ao gênero feminino.

 E mais: Dicesar desestabiliza Dourado e seus seguidores porque joga na cara dos machões outra verdade difícil de ser ouvida por eles: a de que a performance de gênero está presente em todos nós. Dicesar, montado como drag queen ou não, revela ao Brasil que o sexo biológico não precisa determinar ou não determina a identidade de gênero do sujeito. Ao fazer isso, nos mostra não apenas a sua performance de gênero, mas mostra que a atuação do machão é também uma performance.

Explico melhor: ao pensarmos o gênero como performance, não estamos sugerindo que tudo seja mentira ou que a cada dia o sujeito pode usar uma performance diferente. Não. A nossa performance de gênero é construída ao longo de nossas vidas, construção essa que não tem fim. Inclusive isso também fica evidente para o próprio Dourado, nos seus surtos de respeito aos gays do BBB 10. Estratégia do jogo ou não, o certo é que o machão não sairá o mesmo da casa, ainda que ele não perceba.

Por essas e outras questões, como pensar um eventual paredão final entre Dicesar e Dourado? Se isso acontecer, infelizmente, Dourado parece ser o favorito. “Mas então por que Jean Wyllys, também gay, já venceu?”, perguntam as pessoas. Jean possui uma performatividade de gênero mais compatível com o seu sexo biológico. Como disse acima, isso não ocorre com Dicesar. E é essa diversidade que as pessoas ainda custam a entender e a respeitar. Um gay que se comporta dentro de um modelo heterossexista até consegue vencer o BBB e sobreviver nas ruas sem ser violentado. Já quem fica no trânsito entre os gêneros, e goza nessa posição, tende a sofrer mais.

No entanto, como a cultura sempre está sempre em mutação, quem sabe o BBB 10 não nos ensinará mais uma lição e nos surpreenderá no final?



 Escrito por Leandro às 18h53
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Os equívocos e acertos de Danuza

Os equívocos e acertos de Danuza

Leandro Colling

Professor do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos e do Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade, da Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Danuza Leal, em sua crônica do último dia 7 de fevereiro, Como se tornar uma drag queen, publicada em vários jornais, a exemplo de A Tarde e Folha de S. Paulo, criticou a criação de uma escola LGBTTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) em Campinas e, ao mesmo tempo, defendeu a entrada de gays nas forças armadas. Concordo com alguns trechos do texto e discordo de outros. Como as discordâncias são bem mais incisivas, começo por elas:

Ser drag queen, segundo Danuza, é uma vocação que vem do berço, portanto, não precisa ser ensinada.

Em primeiro lugar, essa idéia pressupõe que todas as drags já nasceram assim. Algumas até podem ter essa impressão, que é, na verdade, a velha naturalização de nossas vocações e orientações sexuais (que são por nós naturalizadas, mas que não têm quase nada de natural, exceto em vocações específicas do mundo artístico).

Não podemos generalizar nada quando tratamos de sexualidades e gêneros. É claro que alguém pode apreender a ser drag queen mesmo quando adulto. Todos aprendem a ser drag. Da mesma forma, todos aprendem a ser homo ou heterossexuais. A diferença é que aprendemos de formas mais ou menos diferentes. Por isso, minha afirmação não pode ser lida como também uma generalização.

Um adulto como eu pode aprender a ser drag e nunca ter se sentido uma delas desde a ”terna infância”.  Aliás, quando eu era criança, por exemplo, sequer existiam drags. E olha que eu tenho 38 anos.

Danuza provavelmente pensa assim porque diz, adiante, em seu texto, que “não existem diferenças entre os seres humanos, que as preferências sexuais de cada um são pessoais, e não dizem respeito a ninguém”.

Ao contrário dela, penso, assim como centenas de pesquisadores da área, que existem sim enormes diferenças entre os humanos, e ainda bem que elas existem, pois são elas que dão graça à vida. O discurso da igualdade, usado por Danuza com o melhor dos propósitos, na verdade, vai contra o respeito à diversidade, uma diversidade que é tão ampla que pode, a rigor, fazer com que cada um de nós crie um modo de viver a sua sexualidade e reinvente o seu gênero.

Além disso, quando Danuza diz que as preferências sexuais são pessoais e que não dizem respeito aos outros, parece flertar, novamente, com a idéia de que nascemos com essas preferências, que elas são inatas e que, portanto, devem ser respeitadas.  Não creio que esse seja o melhor argumento para defendermos o respeito à diversidade. Para termos os mesmos direitos, precisamos destacar e festejar as nossas diferenças.

Nossas “preferências sexuais” (eu prefiro, na falta de termo melhor, nossas orientações sexuais), sejam elas quais forem, são construídas desde a nossa fecundação. Ou melhor, uma das orientações é imposta desde a gravidez e, por essa e outras questões, acaba vista como algo natural.  Essas construções, em boa medida, foram realizadas pelos outros.

Por outro lado, dizer que as nossas preferências não dizem respeito aos outros é despolitizar o sexo. Ao contrário, penso que, cada vez mais, o sexo é politizado (basta lembrar a recente declaração do general Raymundo Nonato Cerqueira Filho, indicado para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Militar, para quem os gays seriam incompetentes de comandar uma tropa). Portanto, não podemos cair na tentação de realizar qualquer despolitização do sexo.

Em seu texto, Danuza diz que a escola LGBTTT, ao invés de integrar, segregará e, em seguida, liga essa questão com as cotas para negros nas universidades, consideradas por ela “um preconceito absurdo; o resultado será a segregação, em seu mais alto grau”.

O que está em pauta aqui é a validade ou não das chamadas ações afirmativas e das estratégias políticas essencialistas, muito utilizadas pelos movimentos sociais brasileiros. Ainda que eu tenha várias críticas a essas estratégias, precisamos entender que, num primeiro momento, sem elas pouca coisa teria mudado nos últimos anos para as mulheres, negros e homossexuais.

No entanto, precisamos nos perguntar até quando devemos usar tais estratégias. Atualmente, estou mais interessado em pensar como seria possível aliar estratégias essencialistas, afirmativas, com perspectivas não essencialistas, pós-identitárias. Como essas duas perspectivas poderiam andar juntas, em um mesmo movimento?

Sobre as cotas: elas não têm gerado, a meu ver, a segregação nas universidades. Pelo contrário, o ingresso de afro-descendentes, ao menos na UFBA, tem contribuído para que a própria universidade seja repensada. Digo isso pela minha própria experiência. Fui professor substituto antes e depois das cotas e agora estou na condição de professor efetivo, fase na qual é possível verificar os efeitos das cotas na UFBA.

Diria mais: os não cotistas estão aprendendo muito com os cotistas. Ao invés de segregação, estou vendo o reconhecimento do outro e um promissor respeito às diferenças, não apenas raciais, mas, inclusive, de gêneros/sexuais.

Agora, destaco minhas concordâncias com Danuza. Ela pergunta: por que a escola LGBTTT não ensina “também a trabalhar com mecânica, carpintaria, eletricidade, ou a consertar um ar-condicionado? Por que existem pessoas que acham que o mundo gay só é capaz - na cabeça deles - de fazer trabalhos "artísticos"?”.

Ora, se o movimento LGBTTT defende que a entrada de gays nas forças armadas, por que uma escola voltada à comunidade dedicar-se-á a ensinar apenas profissões comumente atribuídas aos seus pretensos e imaginários integrantes?

Outra concordância, ainda que parcial: “desconfie dos homofóbicos: dentro de muitos deles mora um gay ainda adormecido”. Pode não existir um gay adormecido, mas algo move o homofóbico. O que é exatamente esse algo? Dezenas de coisas, muito difíceis de enumerar. Dificilmente uma resposta daria conta de tudo para que outra generalização pudesse ser formulada.

Em outro momento, Danuza frisa que “mundo gay é, às vezes, bem preconceituoso”. Concordo plenamente. Há muito preconceito do “mundo gay” com gays mais afeminados, lésbicas mais masculinizadas, travestis, transgêneros, transexuais, intersexos, simpatizantes, mulheres e, também, para com os bissexuais e os heterossexuais.

Também há muito preconceito para com aqueles que não desejam se enquadrar em nenhuma categoria, aqueles que preferem e festejam o livre trânsito entre as inúmeras formas de vivenciar os seus sexos, gêneros, desejos e práticas sexuais.

 

Para quem não leu, eis o texto, na íntegra, de Danuza Leão.

Como se tornar uma drag queen

SOUBE que vai ser inaugurada em Campinas, com o apoio do Ministério da Cultura, a primeira escola gay do Brasil: a Escola Jovem LGTB, para lésbicas, gays, transexuais e bissexuais.
Nela serão dados inúmeros cursos como expressão literária, expressão cênica e expressão artística, além de um inédito, para formar drag-queens. Já começa aí o preconceito: por que não ensinar também a trabalhar com mecânica, carpintaria, eletricidade, ou a consertar um ar-condicionado? Por que existem pessoas que acham que o mundo gay só é capaz -na cabeça deles- de fazer trabalhos "artísticos"?
Cada um, seja bailarino, lutador de box, cabeleireiro ou bombeiro, tem o direito de escolher com quem vai para a cama, se com alguém do mesmo sexo ou de outro. Detalhe: a escola está aberta também aos heterossexuais. Será que eles acham que vai ter fila de héteros querendo estudar lá?
Essa história de dar aulas para ensinar como se tornar uma drag-queen chega a ser ridícula; a vocação vem do berço e não precisa de professor para ensinar. Mesmo nascendo e crescendo numa fazenda no interior do Acre, uma drag, desde sua mais tenra infância, sabe se "montar" como ninguém.
Ela pega um pano, amarra na cintura, de umas frutinhas faz um colar, passa colorau na boca -mais vermelho que os batons de St. Laurent- e na falta de um sapato alto, anda na ponta dos pés; é com ela mesmo, e é preciso ser muito ignorante para pensar que para ser drag é preciso aprender.
Ao que me consta, o objetivo da humanidade é integrar, fazer com que os humanos de qualquer raça, cor ou religião se sintam como na realidade são -iguais. Se os colégios só para meninas ou só para meninos já não eram recomendados, o que dizer de um dirigido preferencialmente ao mundo gay? Então por que não pensar também em colégios só para brancos e outros só para negros?
As cotas nas universidades já são de um preconceito absurdo; o resultado será a segregação, em seu mais alto grau, e me admira que as autoridades hajam permitido essa aberração. O Brasil tem mania de ser moderninho, mas é bom não esquecer Hitler; é assim que começa.
O mundo é cruel, disso já se sabe, e as crianças, ainda mais cruéis que os adultos. Se eles já fazem maldades com o coleguinha que parece "diferente", imagine do que não serão capazes quando crescerem, sabendo que os "diferentes" estão agrupados, juntos, num só colégio. Aliás, desconfie dos homofóbicos: dentro de muitos deles mora um gay ainda adormecido.
Se a moda pega, veremos no futuro anúncios de edifícios e condomínios exclusivamente para gays, separando cada vez mais o que deveria ser integrado. Essa integração só poderá acontecer quando todas as pessoas do mundo -inclusive o mundo gay, que às vezes é bem preconceituoso- aprenderem que não existem diferenças entre os seres humanos, que as preferências sexuais de cada um são pessoais, e não dizem respeito a ninguém.
Por falar nisso, o Exército dos EUA está abrindo as portas para os assumidamente gays poderem servir "à pátria que eles tanto amam", segundo o presidente Obama; como somos atrasados. Ensinar a conviver com a diversidade, isso é que as escolas e o Ministério da Cultura deveriam fazer.

danuza.leao@uol.com.br



 Escrito por Leandro às 08h40
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Texto meu em A Tarde

Texto meu publicado no jornal A Tarde de ontem, dia 6 de fevereiro.

O título que eu sugeri era: Sobre a arte de ensaiar o carnaval

O editor preferiu: Os ensaios ensinam a deixar-se levar e a apropriar-se do Carnaval de Salvador

LEANDRO COLLING
Pesquisador e professor da Ufba

Salvador encerra mais uma maratona de ensaios e entra no Carnaval, festa maior que já foi bem analisada por dezenas de pesquisadores – enquanto os ensaios têm recebido menor atenção. E o que eles representam para a cidade? Os adeptos do determinismo econômico e do saudosismo se apressariam em dizer que os ensaios perderam a sua essência e viraram um grande negócio. Eu estaria de acordo com eles, não fosse meu grande problema com os ideais de pureza embutidos nas ideias de essência e originalidade.

Mas meu objetivo aqui é outro: refletir sobre a importância destes eventos para além dos aspectos econômicos e saudosistas de quem se lembra dos ensaios do Bloco do Jacu. Considero, assim como muitos outros, a época dos ensaios pré-carnavalescos um dos períodos mais interessantes da cidade, mais, inclusive, do que o próprio Carnaval.

A lógica é outra

Os ensaios realizados atualmente em Salvador redefiniram a própria lógica dos realizados em outros lugares. Eles tornaram o verão da cidade diferente de todas as demais capitais brasileiras, o que contribui com o turismo, em função da possibilidade do turista querer permanecer mais tempo na cidade.

Ocorre uma sociabilidade importante nos espaços dos ensaios e é através dela que as pessoas aprendem a ser foliões.

São essas três afirmações, em especial a última, que eu gostaria de aprofundar.

A primeira: nas escolas de samba do Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, os ensaios servem para que os integrantes da bateria “aqueçam os tamborins” e, também, para que os membros da escola saibam cantar o samba-enredo do ano. Por isso, na totalidade ou em boa parte do tempo do ensaio, canta-se a mesma música. Depois disso, a letra parece grudar no cérebro da pessoa.

As escolas fazem isso porque os jurados avaliam se todos os integrantes do desfile cantam o samba-enredo na avenida. Determinadas escolas do Rio, onde a competitividade é grande e uma agremiação pode ganhar ou perder o primeiro lugar por meio ponto, retiram os eventuais integrantes que não sabem a letra da música tema.

No Recife, existem as chamadas prévias do Carnaval, realizadas pelos blocos e pelos grupos de maracatu. O excelente percussionista Naná Vasconcelos se desdobra em vários para participar de dezenas delas, que culminam depois no famoso encontro de maracatus, no Marco Zero. Esses ensaios, portanto, também são diferentes dos realizados aqui, pois vislumbram, em boa medida, treinar para a performance em um desfile.

Saudade e excitação

Para muitos, sequer poderíamos chamar de ensaios os acontecimentos pré-carnavalescos de Salvador. “É um show de uma banda, como qualquer outro”, dizem alguns. Não tendo a concordar.

Aqui, baianos e turistas ensaiam, sim – e não apenas para saber a letra da música e a coreografia do ano. Em muitos ensaios, essas questões não têm a menor importância. As pessoas ensaiam a festa que farão a partir da quinta-feira de Carnaval. E também matam a saudade da folia anterior.

Quem ama Carnaval sabe que já nos primeiros ensaios sente-se que finalmente chegou o período de festa. É quando a cidade vive uma grande excitação para, depois da Quarta-feira de Cinzas, entrar em uma espécie de depressão, que só começa a dissipar com o São João, mas que vai embora, definitivamente, apenas a partir de novembro/dezembro.

Mais do que aprender as músicas, nos ensaios de Salvador as pessoas que nunca participaram do Carnaval soteropolitano aprendem a viver e a sobreviver nos seis dias de festa.

“Sóberano”

O que quero dizer é que há um modo de viver o Carnaval de Salvador que os ensaios ensaiam.

Há um modo de dançar que vai além das coreografias dos hits. Há um modo de se relacionar com o outro, de permitir uma aproximação, o toque, de literalmente se deixar levar pela multidão, de compreender, sentir e se apropriar do espírito da festa. Quem não entende ou não sabe disso, precisa, sim, ensaiar (e quem já sabe, não custa repassar).

Um corpo duro e estático, por exemplo, vai sofrer no Carnaval.

É preciso saber deixar a onda te levar. Quem tem fobia de multidão, então, melhor ficar longe, ou ensaiar bastante, especialmente se quiser, como eu, sair no melhor bloco de Salvador, o “Sóberano”. Traduzo, do baianês e para sugerir mais uma palavra no dicionário de Nivaldo Lariú que, assim como eu, não nasceu na Bahia: “só berano as cordas”. É a famosa pipoca.

LEANDRO COLLING É PROFESSOR DO INSTITUTO DE HUMANIDADES, ARTES E CIÊNCIAS PROFESSOR MILTON SANTOS E DO PROGRAMA MULTIDISCIPLINAR DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CULTURA E SOCIEDADE DA UFBA



 Escrito por Leandro às 10h55
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Notinhas de um não ateu

Você votaria em um candidato a presidente da República que não sai de casa sem uma Bíblia, que está cheia de anotações feitas a lápis? Que, por mais que faça rodeios, no fundo, acredita no criacionismo? Pois é, por mais que eu respeite a sua trajetória, depois de ler o perfil de Marina Silva na revista piauí deste mês, definitivamente, jamais votarei nela. Por enquanto, minha candidata é Dilma.

O Brasil precisa de um ateu ou de um agnóstico na presidência. Mas a mesma revista diz que uma pesquisa apontou que 87% dos brasileiros jamais votariam em um candidato ateu. O presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, Daniel Sottomaior, diz que esse índice é maior do que a rejeição contra candidatos negros americanos na época em que eles eram obrigados a sentar nos bancos de trás dos ônibus. Maior também do que a rejeição a candidatos gays.

*** 

Finalmente os frequentadores da boate Tropical ganharam um espaço digno (não é bem essa palavra, mas vai essa mesma). A boate ficou linda com a finalização da reforma. Em plena quinta, bombou na noite de inauguração. Viva a viadagem!

***

Fazia tempo que não ia mais de uma vez na semana no Porto. É visível a diminuição da quantidade de gays nas areias do Porto do Barra. Por onde andam as bibas?

***

Por falar em Porto, pela primeira vez levei um livro acadêmico para ler no Porto. Nome do livro: A invenção da baianidade, da minha ex-colega de Correio da Bahia, Agnes Mariano. Comparar o que está na sua volta com a análise do livro é um exercício interessante.

***

E sigo adiando o que tinha planejado fazer nas férias....



 Escrito por Leandro às 12h43
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Respostas

Respostas aos comentários do post anterior, feitos aqui ou em outros lugares, off ou on line:

Por que uso LGBTTT ao invés de LGBT? Passei a usar os três Ts porque entendo que existem diferenças entre travestis, transexuais e transgêneros. Ainda faltam os transformistas e o Q de queer. Então, não reclamem que a sigla está grande, ela poderia ficar ainda maior. Eu não vejo problema nenhum nisso. Que a sigla seja do tamanho da nossa diversidade. Uma ONG de transgêneros do Equador usa também uma letra para incluir os michês. Por essas questões, não concordo com o nome da parada de Salvador, por exemplo. 

Ana, o Crocodilo é de Daniela. Faz um tempo que ela voltou a puxar o bloco.

Quem fez MM rejeitar os gays é a União do Vegetal, religião da qual MM seria adepta: Não conheço detalhes da União do Vegetal mas, supondo que isso seja verdade, eu pergunto: essa e as demais religiões (talvez a única exceção seja o Candomblé, justamente a religião de Daniela, Mariene e do Cortejo Afro) não tolera gays por que? Porque são homofóbicas.

As religiões, em geral, entre outras coisas, naturalizam a sexualidade humana. Isso faz com que apenas uma forma de sexualidade seja aceita e essa é colocada como a norma. Todo o resto é desviação da norma e precisa ser atacado, vira pecado. Ora, como sabemos, esse é o grande motor da heterossexualidade compulsória que se alastrou e se transformou em heteronormatividade.

Qual a diferença entre heterossexualidade compulsória e heteronormatividade? Especialmente a partir do século 19, uma série de dispositivos começa a surgir para regular a sexualidade. Esses dispositivos legais, educacionais, governamentais, religiosos etc passam a tornar a heterossexualidade como uma obrigação. Quem não se enquadrava, ia para a prisão ou para a fogueira, entre outros destinos. Hoje, exceto em determinados lugares, podemos ser homossexuais com alguma liberdade (sim, ainda restrita). Mas não nos permitem fugir, desvirtuar, problematizar a heteronormatividade.

Ou seja, posso ser gay, mas preciso me comportar como se fosse um heterossexual, dentro das normas da heterossexualidade. Quem ousa enfrentar a heteronormatividade, sofre violência de vários tipos.

Pois bem, o que incomoda MM é que, no bloco Os mascarados, uma multidão desafia, coloca em xeque, a heteronormatividade. Se todos os LGBTTTs do bloco fossem comportadinhos dentro da norma hetero, possivelmente, tudo estaria bem. Mas quem já viu o bloco na rua sabe do que estou falando.

A vinculação com esse público é que MM não quer mais. E por que não quer? Porque a cabeça dela funciona apenas dentro da heteronormatividade homofóbica.

MM fez e faz isso para ganhar mais dinheiro? Essa até poderia ser mais uma das razões iniciais, mas não creio que seja, hoje, a principal: isso porque ela, ao contrário de estar ganhando mais dinheiro, perdeu e está perdendo dinheiro com toda essa questão, que só não é maior porque a imprensa faz de conta que tudo isso não existe. Imaginem a polêmica se um dirigente do Filhos de Gandhi dissesse: "nosso bloco não é negro"? Nem uso o Ilê (em papo de bar já usei), porque o bloco só permite a entrada de negros, foi criado com esse propósito, seria uma comparação muito forçada. Mas se o Gandhi dissesse isso, o mundo viria abaixo, e com razão. Seria considerada, justamente, uma atitude preconceituosa, racista. Então, por que a atitude de MM não é igualmente preconceituosa, nesse caso em relação à comunidade LGBTTT?

 

MM fazia ensaios semanais em Salvador. Há anos não faz mais. Todos lembram das centenas de pessoas que iam todas às sextas no Gheto e depois no armazém da Codeba. Fazia ensaios dos Mascarados em Sampa e no Rio. Lotavam. Perdeu visibilidade, aparece hoje como convidada aqui e lá nos ensaios dos amigos. No auge, puxou o bloco Internacionais. Um ano apenas. Agora relançou os ensaios, desta vez do Afropop, vamos ver se consegue cativar o público de novo. Meu dinheiro ela não receberá nunca mais.



 Escrito por Leandro às 21h13
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O boicote dos alegres

Acabo de ler no site do A Tarde que Margareth Menezes não vai mais cantar no bloco Os Mascarados. Quem me conhece e/ou frequenta esse blog sabe que trabalhei ativamente no boicote à MM depois que ela passou a ficar muito incomodada com o fato do seu bloco ser conhecido como um bloco gay.

Em várias entrevistas, ela disse: "meu bloco não é gay". E, como até as pedras das balaustradas do Farol sabem, mais de 90% dos foliões mascarados era ou é da comunidade LGBTTT. Eu já escrevi sobre como essa posição da MM é homofóbica, até carta aberta já escrevi e mandei para ela, sem nenhuma resposta. Também já escrevi sobre o quanto o nosso boicote prejudicou a sua carreira, que estava em franca ascensão.

Pois bem, essa notícia de hoje confirma que MM quer mesmo apagar, de qualquer forma, a sua vinculação com um bloco gay. Também é o resultado de nosso boicote, claro. Agora ela ficará apenas no comando do Afropopbrasileiro, que ainda continua pago. No entanto, o dinheiro rosa ela ainda quer. Na última segunda-feira, algumas pessoas distribuíam flyers do ensaio do Afropopbrasileiro. Sabem onde? Na entrada do ensaio do Cortejo Afro, justamente o ensaio que foi adotado pela comunidade LGBTTT depois do fim dos ensaios de MM.

Além disso, quem MM convidou para o primeiro ensaio? Alcione, diva de muitos e muitos gays e lésbicas. A lógica é: quero o dinheiro, desde que fique tudo muito bem mascarado. Dentro de uma leitura mais teórica queer, desde que a heteronormatividade (motor da homofobia) da cantora não seja abalada. Por isso, meu boicote continua. Ao invés do ensaio de MM e Alcione, vou me jogar na festa de re-abertura da Tropical, a boate mais viada da cidade.

O Cortejo, ao contrário de MM, nunca ficou incomodado com o fatos dos gays serem a maioria dos frequentadores dos seus ensaios. O mesmo pode ser dito dos ensaios de Mariene de Castro e do bloco Crocodilo, de Daniela Mercury. Cortejo, Mariene e Daniela certamente são os maiores beneficiados com atos homofóbicos de MM.

Por fim, outra novidade: pela segunda vez, em dez anos, vou pagar para sair em um bloco de Carnaval. Será no domingo, no Crocodilo. A primeira vez foi em Os mascarados, no tempo em que a gente enchia o peito e gritava cantando: "somos nós, a alegria da cidade".



 Escrito por Leandro às 10h19
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Sobre mais um livro

Ainda sobre livros de 2009, segue resenha minha publicada pelo A Tarde no dia 9 de novembro.

Por uma política da singularidade

Leandro Colling (professor adjunto do IHAC/UFBA)

Quem sou eu? Mesmo sem perceber, somos incitados a responder, com cada vez mais freqüência, essa pergunta. Partindo disso, o psicanalista Eduardo Leal Cunha inicia o livro da sua tese de doutorado, Indivíduo singular plural – a identidade em questão, sob a orientação de Joel Birman, que assina a orelha da obra.

Leal faz uma rigorosa leitura e análise da obra do sociólogo Anthony Giddens. Depois, passa a dissecar as lacunas e influências teóricas do pensamento de Giddens e, aos poucos, aciona uma série de outros autores, alguns bem conhecidos do público, como Freud, Bauman, Foucault, Barthes e Marcuse, outros nem tão presentes em nossas bibliotecas, como Giorgio Agamben, Judith Butler, Theodor Reik, para citar alguns.

Essa lista de autores pode espantar alguns leitores. Livros ditos “acadêmicos” são considerados chatos por muitas pessoas. E alguns deles são mesmo, inclusive porque são mal escritos. Muitos autores são pernósticos e presumem que o leitor já tenha lido a obra dos citados. Esse, definitivamente, não é o caso do livro de Leal.

No entanto, não espere um panorama raso das obras com as quais ele dialoga. Leal consegue como poucos no Brasil, a exemplo do seu orientador, escrever de forma didática, clara e atraente tanto para iniciados quanto para iniciantes, desde que eles efetivamente estejam interessados nas temáticas em questão.

Mas o que defende Leal? De modo sucinto: Leal critica a tese de Giddens, para quem o homem contemporâneo, ao sofrer os impactos da modernidade tardia, produz uma narrativa do eu coerente e consciente, com vistas a garantir a adequação desse eu frente à realidade. Leal aciona os autores para dizer que essa narrativa do eu coerente não é possível e talvez nem seja a melhor alternativa para o sujeito.

Depois de Freud, que Leal apresenta também com rigor, essa narrativa só seria possível através da exclusão e do recalque das fantasias inconscientes.  Leal usa Butler, apenas para citar mais um exemplo do seu estudo, para dizer que essa narrativa, em especial nas questões de gênero, só poderia ser realizada através dos gêneros que a sociedade já considera como aceitos, “naturais”, saudáveis, ou seja, aqueles que são inteligíveis.

E o que Leal propõe? O psicanalista não foge da questão. E aqui talvez resida uma de suas mais significativas colaborações para as reflexões sobre as políticas identitárias, na Bahia já bem conhecidas através dos movimentos negro, feminista e gay. Leal aponta a contingência dessas políticas que apostam em categorias fixas, em representações identitárias dominantes. Mostra exatamente como essas políticas geram também exclusões e novas formas de racismo, misoginia e homofobia.

Leal, bebendo nas reflexões de Foucault, combinadas com Agamben e outros, propõe uma política da singularidade, na qual o desejo, a liberdade, a hospitalidade seja governada por Eros, como um ato amoroso. Essa política, diz Leal, ocorre “nos pequenos atos, pequenos enfrentamentos, pequenas vitórias ou derrotas (...) fora do grande cenário, à margem (...) sem heróis. Política sem a arrogância dos discursos vitoriosos que podemos chamar de ideologia”.



 Escrito por Leandro às 22h30
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O CUS como boa metáfora

"O ânus, como centro de produção de prazer (...), não tem gênero, não é masculino e nem feminino, produz um curto circuito na divisão sexual, é um centro de passividade primordial, lugar abjeto por excelência próximo dos detritos e da merda, buraco negro universal pelo qual se misturam os gêneros, os sexos, as identidades, o capital" (Preciado, 2008, p. 60).

Esse é um trecho de um dos livros mais interessantes que li em 2009. Trata-se de Testo Yonqui, da espanhola Beatriz Preciado, que é professora em Paris. Nesse livro, ela narra o seus dias enquanto aplica doses de testosterona em gel no corpo e repensa várias obras que tratam sobre sexualidade, gênero, corpo, drogas, indústria farmaco e pornográfica.

O trecho escolhido sintetiza bem a proposta do nosso grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade, que atende pelo nome de CUS. Mas não se trata de defender um mundo sem gêneros, mas um mundo em que o trânsito entre os gêneros seja permitido livremente. Não é esse o nosso mundo.

O provocante livro de Preciado, num primeiro momento, impressiona. Mas depois de uma leitura mais atenta, é possível apontar os seus problemas. Em determinados momentos, ela parece querer superar teses caras de Foucault e Butler. Depois ela mesmo parece reconhecer que essa não é uma tarefa tão fácil e, assim, sua colaboração vai mais no sentido de acrescentar algumas reflexões, sem aquela sede de superação que ela promenteu nas páginas iniciais.

Mas, para quem estuda ou quer estudar teoria queer, a obra é fundamental (PRECIADO, Beatriz. Testo Yonqui. Madrid: Editorial Espasa, 2008).

Quem deseja conhecer mais da obra e vida de Preciado, acesse http://www.beatrizpreciado.com/

Com esse post, prometo, mais uma vez, voltar a escrever aqui no blog. Feliz 2010 a todos.



 Escrito por Leandro às 20h02
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Homofobia pura

"Projetos mostram fragilidade da Câmara de Vereadores". Esse é o título da uma matéria publicada no jornal A Tarde de hoje. Entre os projetos, estão o apresentado pela vereadora Leocrete, que propõe a criação de um busto de Maycon Jackson no Pelourinho. Ela também deseja que o astro receba o título de cidadão soteropolitano.

A imprensa baiana, em geral, tem qualificado como ridícula a proposta de Leocrete. Pura homofobia "travestida" de olhar crítico sobre a atuaçao de nossos parlamentares.

Por que Maycon não mereceria o título e o busto? Alguns dizem que ele renegou a sua "raça" ao virar branco, e isso seria um problema, em especial para uma cidade que enaltece a sua negritude. É um argumento difícil de ser sustentado. Não vou nem entrar na discussão sobre porque virar branco é um problema e virar negro não o é.

É muito mais provável que ele mudou de cor para repudiar o pai, que o abusou, e não para negar a sua "raça". Se ele quisesse negar a "raça", teria mudado também a sua música, que ficou fiel às suas influências negras. Então, qual a razão de não-homenagear o cantor que divulgou o Pelourinho e Salvador para mundo? Até hoje chegam turistas para conhecer o cenário onde ele gravou um dos seus clipes mais famosos.



 Escrito por Leandro às 07h44
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