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Sem vergonha de ser feliz

Cenas dos últimos 20 anos passaram na minha cabeça na noite do dia 25. Um longo percurso de São Martinho a Santo Amaro da Purificação. Lembrei dos amigos, das alegrias, e não concedi nenhum espaço às tristezas. A noite estava perfeita demais: brisa suave, companhia ideal, cerveja gelada para pular em cima da nuvenzinha e ela cantando em praça pública.

 

Foi lindo. Ponto. E, como previsto, chorei.

 Escrito por Leandro às 12h31
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Amanhã eu vou chorar, de novo

Era uma tarde quente em São Martinho, cidade sem praia, quase sem nada. Meu irmão havia comprado uma grande coleção de discos de um amigo que colocava “som” em bailes da região. Meu trabalho era anotar as músicas escolhidas pelos clientes e gravar tudo nas fitas K-7. Eu era uma espécie de pirateador em tempos de LP.

 

Naquela tarde quente sem mar, resolvi ouvir uns discos que nunca eram ouvidos. Os clientes só pediam músicas sertanejas. Peguei um LP que estava meio coberto com aquela poeira vermelha de minha terra. Levei um susto. Das caixas de som saía a voz de uma mulher que cantava: “sonhar, mais um sonho impossível, lutar quando é fácil ceder...é minha lei, é minha questão.....”. Fiquei hipnotizado. Depois: “onde andará, nesta tarde vazia, tão clara e sem fim. Enquanto o mar, bate azul, em Ipanema, em que bar, em que cinema”. Chorei. Muito.

 

E até hoje choro quando vejo ou ouço ela cantar. E, hoje, ela deu uma explicação para isso. Disse que adora tocar as pessoas, tocar no coração, na emoção do seu público. E que sua voz é uma expressão de Deus.

 

Quase 20 anos depois daquela tarde, muita coisa mudou. Da minha janela, vejo o mar e, amanhã, assistirei ela cantar em Santo Amaro. Naquela tarde, jamais poderia imaginar que isso pudesse acontecer. E vou chorar. Outra vez.



 Escrito por Leandro às 00h01
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Um novo gay vai ao Gandhy?

Acabo de ler uma matéria no UOL sobre o “new gay”. Segundo a jornalista, estes novos gays não estariam preocupados em definir seus músculos nas academias, não gostam de música eletrônica (preferem o rock) e não são obcecados pela aparência ou roupas de grife. Quer dizer que eu e a grande maioria dos meus amigos somos novos gays e não sabíamos?

 

Várias coisinhas a falar (escrever) sobre isso. Primeiro: não há nada mais chato do que estas matérias sobre comportamento que os jornalistas costumam fazer para apontar novas tendências e encaixotar as pessoas nelas. Não que as tendências não existam. O problema é a absoluta falta de rigor (não estou cobrando rigor acadêmico) em sustentar o argumento. Por exemplo, eu seria um novo gay? Tenho as características apontadas pelo jornalista, mas eu sempre fui assim, ou seja, de “novo” isso não tem nada. Não que eu seja velho. O que quero dizer é que esse "novo gay" sempre existiu e agora um jornalista acha que o descobriu.

 

Segundo: a matéria é um sinal do quanto os gays são (ou eram) vistos como uma massa uniforme. Isso sempre me irritou profundamente, pois há uma diversidade imensa dentro do mundo gay. Inclusive, há aqueles que, por exemplo, freqüentam o afoxé Filhos de Gandhy aos domingos.

 

**

 

A novela da Record não ultrapassou o JN no Ibope, mas empatou. É uma história muito mal explicada, pois o próprio Ibope disse que os dados iniciais apontavam que a novela havia ficado na frente do JN. Em todo caso, ainda vale a minha reflexão anterior. Empatar com o JN já é um dado histórico.



 Escrito por Leandro às 10h25
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