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Releasemania e a falência do jornalismo

Meu amigo Ricaaaaaaaaaardo já havia me falado disso e, como acabo de ler um texto sobre o assunto no Observatório da Imprensa, não resisti. É o seguinte: um artista cearense inventou que um artista plástico japonês faria uma exposição no Museu de Arte Moderna do Ceará. Com o apoio do museu, mandou um release para as redações e os jornais publicaram, inclusive uma entrevista via mail com o artista inventado. A farsa só foi descoberta quando, na abertura da tal exposição, estavam expostos apenas as cópias do release e as matérias publicadas nos cadernos de cultura.

 

O caso expõe como nunca a falência do jornalismo brasileiro (pois é muito provável que os jornalistas de outros estados também cairiam na armadilha). Os jornalistas cearenses, a exemplo do autor do texto que li no Observatório, ao invés de um mea culpa envergonhado, estão culpando o artista e o museu.

 

Sempre digo aos meus alunos: as redações estão cheias de burocratas que pegam um release e publicam. Neste caso, sequer se deram ao luxo de fazer uma busca na internet para ver quem era o tal artista. As assessorias de imprensa pautam completamente nossos jornais. Por isso, eles estão todos iguais. Depois não sabem porque o número de leitores diminui a cada ano.



 Escrito por Leandro às 21h10
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Sovando um mate

Depois de um 2005 quase sem praia e cinema, 2006 será de muitos filmes e Porto da Barra. Hoje, em função da maré cheia, preferi ir ao Cinema do Museu para ver O mais belo dia de nossas vidas. Estava passando o trailer do documentário da Bethânia e tudo ficou escuro. Deu uma pane no sistema. Enquanto esperávamos o conserto, um rapaz e uma mulher protagonizam, nas minhas costas, o seguinte diálogo:

 

- Você foi lá ver o que houve? – disse ela.

- Sim, e tive que bater forte na porta, ele nem tinha percebido que a imagem não tava aparecendo na tela – respondeu o moço.

- Te vi outro dia no Bahiano – continuou ela.

- É mesmo? Em que filme?

- Flores partidas. Você tava usando uma bata, por isso eu lembrei.

- Ah, era eu sim. Eu uso batas, minha não gosta muito, mas eu gosto.

- Mãe é assim mesmo.

- É, ela acha meio estranho. É que ela também usa.

- E você gostou de Flores partidas? – perguntou ela.

- Adorei, muito bom. Ele (suponho o ator principal) está excelente.

- É, deixa a vida passar. Muitas pessoas fazem isso.

- É.

- Estou querendo muito ver aquele filme do diretor chinês, que foi indicado ao Oscar hoje - continuou ela.

- Ah, sim, dos caubóis!

- Sim, esse mesmo. Parece que eles têm uma relação homossexual mal resolvida.

- Pois é, eu soube. Puxa vida, até os caubóis, que sempre foram meus heróis! Não tenho nada contra, mas acho esquisito! - disse ele.

- É, mas parece que ele conta isso de uma maneira legal, dizem que está bem feito.

- Não tenho nada contra, até pode ser legal como ele trate isso.

- É.

 

O papo continuou e eu fiquei pensando no preconceito velado da fala do rapaz, que tem uma voz meio afetada e usa batas. Ele dizia não ter nada contra o homossexualismo, mas os seus heróis não podem ser gays. Grande contradição de um filho que usa roupas esquisitas. Um herói pode ser tudo, menos ser gay. São em falas como estas que as diversas faces da homofobia aparecem. Eu tive vontade de dizer tudo isso, mas não estava a fim de discutir. Logo depois, fomos informados que a sessão não iria acontecer. Preferi ir para casa inaugurar minha nova cuia.

 



 Escrito por Leandro às 17h42
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Entre vanerão e axé-music

Depois de oito anos na Bahia, pela primeira vez fui ao CTG de Salvador. Curiosamente, atendi ao convite de um amigo baiano, que falou muito bem do churrasco de lá. Como sou um carnívoro nato, não resisti. Comi muito e bem.

 

A ida ao CTG me fez lembrar o tempo em que eu morava em São Martinho. Meus irmãos dançavam em grupos tradicionalistas. Eu nunca gostei de CTG e do movimento que o acompanha. Não gosto de ouvir quando alguém diz que tem orgulho de ser gaúcho (ou baiano). Principalmente quando a sensação acoplada ao discurso é de que isso o torna melhor do que os outros. A história está aí para comprovar que as crenças desta natureza já produziram milhões de mortes.

 

Outro motivo que sempre me afastou dos CTGs é a homofobia da maioria dos seus freqüentadores. Estes são os locais onde os gaúchos assumem os estereótipos do gaúcho, e sentem orgulho.

 

Durante o agradável almoço no CTG, além das lembranças da adolescência, apesar de tudo, senti um pouco de saudade. E fiquei pensando em sobre o que é ser gaúcho, e ser baiano.



 Escrito por Leandro às 01h14
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