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Tire a máscara II

Como diz Macaco Simão, continuo com a minha “cruzada mesopotâmica” contra a homofobia. Leiam a declaração daquela que ganhou e continua ganhando dinheiro dos gays otários. “Nunca fizemos o marketing GLS. Aqui tem todo mundo. Não há facção e o conceito do bloco não é este”, explicou Margareth Menezes. A frase está no Correio da Bahia de hoje. Quando o trio dela passou, fiquei imóvel. Meu único gesto foi estender o dedo para ela e bando de mascarados.

 

Já a banda Eva, que nunca teve um grande público gay, reage de forma muito diferente. Saulo, o vocalista, parou do beco da Off para falar em respeito à diversidade. Palmas.

 

Mas na primeira noite de Carnaval da Barra, a surpresa ficou com o Saiddy Bamba. Nunca tinha ouvido falar do grupo, que conta com uma mona na performance da música Bicha. Como os jornalistas baianos só cobrem Ivete, Margareth, Gil e Daniela (os dois últimos, especialmente para ganhar ingressos no camarote), eu não conhecia o tal grupo. Em uma pesquisa do Google, descobri que o GGB entrou na Justiça contra a execução da música. A letra é:

 

Bicha, bicha
Passe a mão na bicha
Bicha, bicha
Sambe com a bicha
Bicha, bicha
Esse cavalo é égua
Baixo astral, baixaria

 

Quando o trio passou, mal deu para ouvir a letra. De muito mau gosto, mas a performance a biba foi divertidíssima.

 

Para terminar: Bono é mesmo um bonachão. Bahiatursa não precisa mais gastar grana. Ganhou um garoto propaganda de bandeja.



 Escrito por Leandro às 10h05
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É Carnaval, tire a máscara

Salvador está transformada para o início de uma semana de carnaval. Meu bairro está irreconhecível. Há duas maneiras distintas de analisar a festa. Uma delas: o carnaval não é o mesmo, os espaços públicos foram privatizados, os pobres seguram as cordas e trabalham, as músicas são cada vez menos criativas, a estrutura é de guerra, o clima é de insegurança etc etc etc. Tudo isso e muito mais é verdade.

 

Mas eu enxergo outras coisas: o povo resiste e faz a sua festa como pode. E é no meio deste povo que eu sempre estou. Quem paga mil reais para os blocos ou camarotes tem, na verdade, nojo de povo, medo de povo. E povo saca logo quando você não gosta de povo. E aí reage. Eu tenho um certo nojo de quem não gosta de povo. E como tem baiano assim, principalmente os pseudo-intelectuais e a fedorenta classe média.

 

Só mais um registro: faz um ano que mandei uma carta para Margareth. Não tive resposta. Pior, a revista Superinteressante deste mês diz, mais uma vez, que ela rejeita o rótumo de musa dos gays. Este ano ela terá meu completo desprezo. Enquanto isso, milhares de gays otários pagarão uns 400 reais para ficar dentro das cordas. Realmente, um bando de mascarados.



 Escrito por Leandro às 14h11
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Mais homofobia

Há alguns meses, eu postei uma mensagem sobre um lugar interessante que eu havia acabado de conhecer. Não cheguei a dizer o nome do lugar. Tratava-se de um ensaio do afoxé Korin Efã, realizado nas ruinas de um casarão do Pelourinho. Hoje, o local foi adaptado e não possui teto.

 

Eu fiquei absolutamente encantado com o ambiente. As paredes são decoradas com pinturas de orixás. O som do afoxé parecia autêntico (não entendo muito do assunto, por isso o parecia). Na platéia, idosos, crianças e muitos, muitos gays e alguns travestis. Eu era um dos poucos loiros, mas me senti plenamente acolhido.

 

No último domingo voltei lá. Talvez teria sido melhor ter ficado em casa. O encanto acabou. O público, mais do que na primeira vez, era composto, em sua maioria, por gays. Alguns começaram a se beijar. O cantor da banda parou tudo e começou um discurso. Dizia que ali estava proibido o beijo de “homem com homem”. Disse também que ele gostava de mulher. Ficou falando uns cinco minutos. Ninguém reagiu. Eu fiquei de cara. Minutos depois, vi outros dois caras se beijando. Não entendi isso como um manifesto. Não devo voltar lá. Daqui a pouco, não terei mais lugares para onde ir.



 Escrito por Leandro às 22h05
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Reflexão em uma cidade excitada

Eu adoro Salvador o ano inteiro mas, nas semanas que antecedem o Carnaval, a paixão aumenta. A cidade, literalmente, se excita. È impressionante. O clima de excitação, sempre alto na cidade, aumenta ainda mais.

 

Neste clima, pelo segundo ano consecutivo, bato cartão nos ensaios do Cortejo Afro (eu já freqüentava na época da Praça do Reggae, quando era de graça). Depois que deflagrei meu boicote à Margareth (a que diz que seu bloco não é gay!), eu e várias outras pessoas adotamos o Cortejo. E outro dia, uma biba perguntou: o que as monas viram no Cortejo? Eu já tinha tomado umas cervejas, estava dançando, e não quis responder.

 

A pergunta é mesmo interessante. Eu teria várias respostas. Uma delas tem a ver com a política cultural do bloco. Os ensaios do Cortejo fazem sucesso porque o grupo não tem uma política essencialista como o Ilê e não rejeita os gays como a Margareth. Como o público adora a batida afro, a praça do Pelô passou a ser o único local onde uma tribo não se sente coagida por ser branco ou ser gay, ou as duas coisas ao mesmo tempo.



 Escrito por Leandro às 11h01
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