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Sempre duvidei dos números do Carnaval da Bahia. Mas nunca vi um jornalista questionar as autoridades. Eles apenas repetem os dados oficiais e os divulgam. É apenas mais um sintoma da falência do jornalismo.

 

Aos números: o Carnaval reuniria de 2 a 2,2 milhões de pessoas nas ruas a cada dia. Os três circuitos somariam 27 a 30 quilômetros. Façamos as contas a partir dos números maiores. Supondo que as ruas tenham 15 metros de largura (o que nem sempre é verdade), teríamos 450 mil metros quadrados onde as pessoas poderiam estar. O cálculo da Polícia é de quatro pessoas por metro quadrado. 450 mil vezes 4 = 1.800.000.

 

Ou seja, se todos os 30 quilômetros estivessem completamente preenchidos de gente, aí teríamos 1,8 milhão de pessoas nas ruas. Quem já esteve no Carnaval sabe que nunca todo o espaço fica tomado pelas pessoas. Isso apenas ocorre quando o trio passa. Resumindo: o número oficial não passa de uma fraude, repetida pelos jornalistas.

 

Além disso, os órgãos dizem hoje que aumentou o número de pessoas no Carnaval. A minha percepção é de que ocorreu o contrário. Outro número plenamente questionável é sobre o número de turistas. Alguns chegam a dizer que eles somariam 1 milhão.

 

Para terminar: estou saturado de Carnaval da Bahia. No último dia nem saí de casa. Próximo ano, decididamente, precisarei viajar. Provavelmente, para o Recife. Não que eu não tenha me divertido. A pipoca de Daniela (na segunda) estava o máximo. Já no sábado, teve muita briga e decidimos ir embora.

 

Outro momento legal foi ver o Gandhy na Carlos Gomes. Mas o pior mesmo foi aturar as passagens de Margareth. Na segunda, um músico da banda, que me conhece e sabe do meu boicote, fez um sinal para mim. Dizia que eu estava com dor de cotovelo. Ora bolas! Preciso mesmo ir para o Recife.



 Escrito por Leandro às 14h00
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A cara da Bahia

Domingo de Carnaval e nós fomos para a Carlos Gomes. Logo de cara, Filhos de Gandhy. Milhares de homens lindos querendo beijar....mulheres. Nem todos. Não há nada mais lindo do que ver este imenso afoxé passar na avenida.

 

Seguimos e entramos em um beco porque Chiclete estava para passar. Passou e seguimos. Paramos em um conhecido ponto GLTB. Além de nos divertir, Miguel está fazendo uma pesquisa com travestis e precisava fazer contatos. Entre as conversas, uma delas disse: “não fale que eu sou traveca, o bofe está achando que eu sou mulher!”. Aliás, o que tinha de homens embasbacados com as travas... Elas chamavam mais atenção do que os trios.

 

Mais um pouco e passa o Psirico, com uma imensa pipoca, maior do que a do Chiclete. Márcio Vitor, o representante dos putões, grita: “ai que vontade de dar uma!!!!”.

 

Posso ir embora. Senti a Bahia, a verdadeira, outra vez.



 Escrito por Leandro às 14h14
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