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Foucault

Com o fim do doutorado, finalmente vou estudar com mais intensidade a teoria queer. Estou começando por Foucault. Eis o trecho de uma entrevista dele, publicada no livro Um diálogo sobre os prazeres do sexo:

 

Foucault – (...) Acho que o que mais perturba quem não é gay e a forma de vida gay, e não os atos sexuais.

 

Entrevistador (O´Higgins) – O senhor se refere ao  fato de os gays se acariciarem e se tocarem em público ou de eles se vestirem de modo espalhafatoso ou com roupas impróprias?

 

Foucault – Esse tipo de coisa está fadado a incomodar algumas pessoas. Mas eu me refiro ao temor geral de que os gays desenvolvam relações intensas e satisfatórias apesar de não se ajustarem à idéia que os outros têm do que sejam essas relações. O que muitas pessoas são incapazes de tolerar é a possibilidade de que os gays sejam capazes de criar tipos de relações não previstas até agora.

 

Com esse trecho, voltei a pensar sobre um assunto que já tratei aqui. Hoje, os gays estão criando tipos de relações não previstas ou seguindo um modelo heteronormativo?



 Escrito por Leandro às 09h45
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Crise e mais homofobia

Passei uns dias sem postar nada porque peguei uma virose (ou seria dengue?) depois do Carnaval. "Um clássico!", diriam meus amigos cearenses. Neste semestre, volto a todo vapor para sala de aula. Turmas na FSBA e novamente na UFBA. Outro dia, em uma de minhas aulas, estávamos discutindo o futuro dos jornais impressos. Um aluno, que já sabe das minhas críticas ao jornalismo, perguntou: "qual é a saída?" Eu não tenho a resposta definitiva para isso, mas ela precisa ser encontrada o mais rápido possível. Mas, pelo visto, poucos jornalistas parecem preocupados com a questão. Enquanto isso, a circulação dos jornais cai a cada ano.

 

O ombudsman da Folha escreveu: “Folha, O Estado de S.Paulo e O Globo, os três maiores e com mais prestígio, vendiam juntos, em 2000, uma média diária de 1,162 milhão de exemplares. Fecharam 2005 vendendo 813,7 mil exemplares diários. Uma perda de 348,5 mil exemplares por dia, uma queda de 30% em cinco anos. É como se um dos três tivesse deixado de circular.”

 

Qual a saída? Eu acho que a crise no jornalismo impresso existe, em boa medida, porque os jornais ainda não souberam se adequar aos novos tempos. E quando tentam se adequar, erram feio, nivelam tudo por baixo e chamam o leitor de imbecil o tempo todo. Os jornais impressos, por exemplo, precisam ter a coragem de mudar radicalmente as suas pautas e o estilo dos seus textos. Por que vou ler no jornal algo que eu já li na internet e já vi na televisão no dia anterior? Ou seja, não há nada de “novo” nos jornais.

 

No meio disso tudo, alguns surtos de criatividade aparecem. Um exemplo é a cobertura do jornal A Tarde para o carnaval baiano.

 

Uma observação: eu sou um crítico do jornalismo mas, ao mesmo tempo, não sou adepto incondicional daquela clássica frase da velha guarda: “no meu tempo era melhor”. Isso, muitas vezes, não passa de saudosismo e vício de romancear o passado.

 

Outras coisinha, para não deixar de falar de viadagem, já que esse é o propósito deste blog (para quem ainda não sabe): um dia a sociedade vai sentir o quão idiota foi em relação a manifestação de afeto entre os gays. Em São Paulo, cidade que promove a maior parada gay do mundo, em pleno 2006, foram retirados outdoors que mostravam dois homens se beijando. Em Ipanema, o bairro mais gay do Brasil, em pleno carnaval no posto 9, dois guris se beijaram e foram espancados por cinco brutamontes. Talvez eu não chegue a viver em uma sociedade menos homofóbica, mas um dia isso vai diminuir.



 Escrito por Leandro às 10h25
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