Alckmin joga PSDB para a direita
Faz um certo tempo que não falo de política neste blog. Mas isso não quer dizer que não me interesso mais pelo assunto. Pelo contrário. Tenho pensado, por exemplo, que, depois de uma grande decepção com o PT, Lula e outros petistas, serei relativamente “obrigado” a votar em Lula novamente. Por que? Por absoluta falta de alternativa. Posso até votar Cristóvão no primeiro turno mas, no segundo, Lula surge como a única alternativa. Alckmin? Nem pensar. Quer apenas um exemplo? Leia trecho abaixo publicado na Folha de hoje:
“O primeiro dia de Geraldo Alckmin como candidato do PSDB à Presidência começou com a defesa da família, da religião e da tradição e passou por ataques ao MST (...) Pela manhã, o governador, que é católico praticante, disse que "a pátria são as famílias, a religião, os costumes, a tradição". (...) Questionado se suas declarações são um sinal de que estaria mais inclinado para a direita, Alckmin retrucou: "Quem apostar que eu sou de direita ou de centro vai errar. Eu sou o candidato da mudança".”
Tu acha que eu vou votar em um candidato que pensa que “a pátria são as famílias, a religião, os costumes, a tradição”? Qualquer pessoa relativamente esclarecida sabe que esse é um discurso de direita, que sempre pregou a moral judaico cristã como uma linha mestra de governo. Além disso, o PSDB deverá se coligar com o PFL, o pior dos piores da política brasileira. Tô fora.
Escrito
por
Leandro
às
10h32
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Foucault e os professores gays
Entre os leitores deste blog, certamente existem muitos alunos e alunas. E eu nunca falei deste blog na sala de aula. Poucos deles comentam as mensagens. No entanto, tenho absoluta certeza de que o blog é comentado entre eles, quando eu não estou por perto, é claro.
Como não poderia ser diferente, a questão da homossexualidade, às vezes, entra nas minhas aulas. Outro dia, por exemplo, analisamos a reportagem da revista Veja sobre a pretensa bissexualidade da cantora Ana Carolina. Nestes momentos, sempre me causa um certo espanto o desconhecimento destes jovens sobre a sexualidade. É muito raro, por exemplo, alguém explicar a sexualidade como um resultado das experiências culturais da vida. A maioria ainda crê que nascemos gays.
No ano passado, em outra disciplina, em um exercício sobre técnicas de entrevista, um dos alunos convidou a transformista Bagagerie para ser entrevistada na sala. Na discussão da pauta, precisei explicar, inclusive, a diferença de um travesti e uma transformista. E olha que estamos falando de futuros jornalistas, estudantes que vivem em uma sociedade em que estes assuntos são tratados quase cotidianamente na mídia.
Mas esta longa introdução é apenas um “nariz de cera” para chegar no ponto que quero abordar. Tenho lido alguns textos sobre como os professores e professoras, historicamente, anularam a questão da sexualidade na sala de aula. Eu tenho tentado, aos poucos, romper este bloqueio, não apenas tratando abertamente de questões relativas a sexualidade humana (e a relação disso com a comunicação, é claro), mas através da minha própria história. Isso sem precisar dizer que sou gay em sala. Por sinal, isso aconteceu apenas uma vez. Tenho certeza que, além de causar espanto em muitos, trago conforto para outros.
Lembrei de tudo isso quando li outro trecho da entrevista do Foucault, que já comentei na mensagem anterior. O entrevistado pergunta a opinião dele sobre uma proposta que proibia homossexuais de ministrarem aulas para alunos do ensino “primário e secundário” nos Estados Unidos (não tenho a data da entrevista, mas ela deve ter sido feita pela década de 60). Foucault, com a habilidade e genialidade, responde:
- “(...) As práticas sexuais não têm absolutamente nada a ver com os fatores relacionados à competência para exercer uma determinada profissão.“Está certo”, o senhor poderia dizer, “mas o que acontece se os homossexuais se servem de sua profissão para estimular os outros a se converter em homossexuais?”
Vou lhe perguntar uma coisa. O senhor não acha que os professores que durante anos, durante décadas, durante séculos, explicaram às crianças que a homossexualidade era intolerável e que os livros didáticos que censuraram a literatura falsificaram a história para excluir tipos diferentes de comportamento sexual não causaram danos pelo menos tão graves quanto um professor homossexual que fale sobre a homossexualidade e cujo único dano possível é a explicação de uma determinada realidade, uma experiência vivida?
O fato de um professor ser homossexual só pode ter repercussões importantes e traumáticas sobre os alunos na medida em que o resto da sociedade se negue a admitir a existência da homossexualidade. Um professor homossexual não tem por que provocar mais problemas que um professor calvo, um professor do sexo masculino numa instituição de ensino onde todos os alunos sejam mulheres (...).
Quanto ao problema de um professor homossexual que se dedique ativamente a seduzir os alunos, tudo o que posso dizer é que qualquer situação docente ele pode se apresentar; e os exemplos desse tipo de comportamento são mais freqüentes entre os professores heterossexuais, pelo simples fato de o número deles ser muito maior”.
Palmas, palmas, mesmo que ela esteja morta!!!!
Escrito
por
Leandro
às
18h21
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