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AMANHÃ TEM PARADA GAY NA BAHIA!!!

Amanhã é Dois de Julho. Uma das datas mais interessantes da Bahia, com uma comemoração ímpar. Nunca esqueço da primeira vez que vi o tal cortejo passar. Não entendia direito o que todo aquele povo estava fazendo na rua, caminhando, alegre. Não se tratava de um desfile, pelo menos não como eu concebia um desfile. Depois, conhecendo um pouco da história desta terra, passei a compreender melhor esta bela festa, talvez a única que ainda não tenha sido cooptada pela indústria do entretenimento.

 

Na verdade, eu acho que a Bahia se traduz muito nesta festa. Poderia falar de vários aspectos, mas vou escolher um, a partir do olho queer. Aqui em casa, costumamos dizer que o Dois de Julho é uma das duas paradas gays que existem na cidade. Nas proximidades do beco do Lugar Comum, na avenida Sete, sem ninguém saber como ou porque (pelo menos eu não sei), o povo GLTB se reúne durante à tarde. É uma fechação só.

 

O ápice acontece quando as filarmônicas aparecem. Na frente delas, em 99%, está uma biba fazendo a sua performance. Quando chegam na tal concentração, elas se sentem em território amigo, as outras começam a gritar e está feita a festança. É uma das coisas mais engraçadas que eu já vi. Uma das bandas, quando chega no local, pára por um tempo e toca I WILL SURVIVE!!! Eu adoro.

 

Nas filarmônicas do Rio Grande do Sul, quase sempre são mulheres que estão na frente das bandas. Aqui, as bibas tomaram conta do pedaço. Sabe outra coisa que eu adoro? Não consigo distinguir o Caboclo da Cabocla. Isso é tão queer!!! 



 Escrito por Leandro às 10h08
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Alckmin não cresceu

Hoje foram publicadas duas novas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial. A interpretação dos números, ou a falta de, pela imprensa, pode estar gerando opiniões equivocadas. A tendência dos jornalistas é enfatizar que Geraldo Alckmin, aquele que joga o PSDB e o Brasil para a direita, cresceu muito nas pesquisas. Trata-se de uma meia verdade. Ele apenas ganhou os votos que, antes, eram de outros candidatos que não estão mais na disputa, como Antonhy Garotinho, por exemplo. Ou seja, o tucano não cresceu espontaneamente, mas sim em função das circunstâncias.

 

O que a pesquisa mostra, na verdade, é que hoje não haveria segundo turno mesmo com esta nova configuração das candidaturas. Mas eu acredito que esse quadro vai mudar assim que acabar a Copa do Mundo. Acho que teremos sim uma eleição em dois turnos. Será a campanha que acompanharei com absoluta falta de tesão. Vai ser uma chatice, por exemplo, ver os jornalistas apenas reproduzindo dados e versões sobre quem fez mais: Lula ou FHC. Os repórteres que se comportam como tábuas são os culpados por isso. Para quem não sabe, nas minhas aulas eu chamo de repórteres tábuas aqueles que aceitam tudo o que as fontes dizem. Na verdade, tenho ciência que estou até sendo injusto com as tábuas.

 

Momento Copa e novo “pressentimento”: Brasil perde amanhã.  



 Escrito por Leandro às 19h22
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Olho queer na Copa

 

A foto explica porque um olho queer se interessa por Copa do Mundo. Por isso, torcer por Gana foi fácil, muito fácil. Mas, deixando a viadagem de lado (se é que isso é possível), preciso dizer: eu gosto de futebol, bem mais do que parece. Voltando ao queer (eu disse que deixar de lado é impossível!!!), um estudo sobre futebol e homoerotismo seria bem interessante.

 

Voltando à Copa. Me irrita profundamente a cobertura da Rede Globo. Sempre me irritou, mas neste ano eles conseguiram se superar. Além de um ufanismo e falta completa de críticas, ainda fui obrigado a ouvir um pedido de desculpas da Fátima Bernandes ao técnico Parreira. É dose de leão. Eu disse, em texto anterior, que tinha o pressentimento de que Gana venceria o Brasil. E não estava equivocado. O time de Gana só não venceu por absoluta falta de sorte, que sobrou em Dida. Mais nada.

 

A Seleção Brasileira joga muito mal. Até agora, teve sorte de pegar times igualmente ruins. Minha tese é de que o Brasil muito dificilmente ganha a Copa. A não ser que todos os demais times sejam ruins, como aponta um dos melhores comentaristas, Juca Kfouri.

 



 Escrito por Leandro às 10h21
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Lula e o Dia do Orgulho Gay

Hoje é Dia do Orgulho Gay e um olho queer não poderia deixar este dia passar em branco. Aproveito a data para refletir um pouco sobre o movimento gay em geral e das conquistas da comunidade GLTB. Em primeiro lugar, compartilho da opinião de que o movimento merece todos os aplausos porque, em 36 anos, é inegável que a vida dos gays e lésbicas do mundo melhorou muito. E isso se reflete nas pequenas coisas. Quer um exemplo? Sou professor de uma faculdade católica e escrevo estas linhas sem que nunca, por enquanto, alguém tenha tido a audácia de denegrir a minha imagem pelo fato de eu ser gay. Há poucos anos isso dificilmente aconteceria.

 

Eu poderia tratar de outros tantos avanços, mas quero tratar de duas questões que avançaram muito pouco no Brasil. Uma delas é a representação de nossa comunidade na televisão brasileira. Enquanto os canais fechados estão sintonizados com a nova realidade pós-Stonewall, os canais abertos brasileiros ainda tratam a temática gay e lésbica como se estivéssemos no início do século passado. Ou, como disse André Fisher, a tevê aberta parece estar no Irã. A rigor, por exemplo, defendo que, nas telenovelas, nunca tivemos um personagem gay. Já escrevi sobre isso em outros textos.

 

Outro avanço pífio se deu em relação às políticas públicas. E neste momento, é preciso dizer que do governo Lula se esperava muito mais. Ele até chegou a criar uma secretaria, ligada aos Direitos Humanos, para tratar da questão. O tal programa Brasil Sem Homofobia, no entanto, ainda não mostrou a que veio. Isso me faz lembrar uma crítica do escritor João Silvério Trevisan. Para ele, os ativistas gays são reféns dos petistas e confundem movimento social com partido político. Acho que isso explica parte da questão. Outra explicação está na histórica homofobia da própria esquerda brasileira.



 Escrito por Leandro às 21h53
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Bethânia

Ela fez 60 anos e está cada vez melhor. Depois de ouvir Bethânia, nunca mais fui o mesmo. Bethânia é queer.



 Escrito por Leandro às 21h32
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Voltei

Depois de quase dois meses sem postar nada, retomo o blog. A falta de textos foi em função da absoluta falta de tempo. Nunca trabalhei tanto como neste semestre que, graças, chega ao seu fim. Mas não vou falar do trabalho nem de todo o estresse, embora fique muito tentando a compartilhar algumas coisas, como as histórias do meu doutorado, os dois concursos que realizei, as frustrações com algumas pessoas. Depois de pensar, decidi que o silêncio é a melhor resposta. Nos próximos textos, retomo comentários sobre política, jornalismo e, é claro, sobre assuntos queer. Aliás, Copa do Mundo é um assunto bem queer. A propósito, estou com um pressentimento: acho que o Brasil vai perder para Gana. 

 



 Escrito por Leandro às 20h58
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