Sexualidade e campanha eleitoral
Nos últimos dias, andei lendo um texto de uma amiga sobre a sexualidade e a campanha eleitoral de 1989. O artigo trata sobre a virilidade de Collor e a polêmica em torno da escolha do vice de Lula. Fernando Gabeira não teve o seu nome aceito por parte do PT em função da sua luta pelos direitos dos homossexuais e pela descriminalização do uso de drogas.
Depois de ler o texto, comecei a pensar sobre os nossos atuais candidatos. Como eles poderiam ser analisados do ponto de vista da sexualidade? O fato de não termos um candidato viril como Collor ou uma polêmica em torno da orientação sexual significa que não há nada a dizer? Não creio.
Geraldo Alckmin, escreveu Antônio Risério, na sua coluna em Terra Magazine, é um homem que tem um corpo que não diz nada. “Acho que o Alckmin não vai para lugar nenhum, a partir do seu próprio corpo. De seu travamento no chão. De seus gestos. De suas inexpressões faciais. Ele não consegue transmitir absolutamente nada.”
Entendo o que Risério quer dizer, mas acho que Alckmin tem o corpo perfeitamente antenado com suas idéias. Seu corpo, neste sentido, diz tudo. Seu corpo é a mais clara expressão da defesa da família, da religião e da tradição. No primeiro dia como candidato, ele disse “a pátria são as famílias, a religião, os costumes, a tradição”. No dia 16 de março, postei uma mensagem sobre a declaração aqui no blog. Alckmin é aquele pai de família que o filho nunca vê pelado em casa. É macho, isso é inquestionável, mas parece, ao mesmo tempo, assexuado.
Minha amiga, autora do texto sobre 1989, diz que sempre devemos desconfiar das posturas que são constantemente reiteradas. Elas podem dizer outra coisa. Ou seja, a reiteração da masculinidade pode, por exemplo, estar revelando o que se quer esconder. A observação é muito interessante. Pensarei sobre isso.
E o que pensar de Lula, Cristóvão Buarque, Heloisa Helena?
Escrito
por
Leandro
às
17h49
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