Heteronormatividade acaba com as paradas
Domingo passado rolou a segunda parada gay do ano em Salvador. A primeira, como todos sabem, ocorre sempre no dia Dois de Julho. Aliás, na grande data da Bahia eu me diverti muito mais do que neste domingo. A parada (a segunda) teve o mérito de contar com muitos policiais, mas perdeu muito público gay e, especialmente, a fechação. Não penso que uma parada deve ser considerada boa apenas pela quantidade de pessoas. Nem sou adepto daquele discurso enfadonho de que a parada virou carnaval e não tem nada de movimento político ali.
Penso que as paradas foram fundamentais, como novíssimos instrumentos políticos, para a visibilidade do povo GLBTT. Quem pensa que parada não serve como ação política é quem pensa de forma estreita o que é política. Mas, sabem por que me diverti menos? E sabem por que a parada do último domingo foi, entre as cinco edições soteropolitanas, a menos política? Porque a maioria era composta por heterossexuais e/ou gays e lésbicas que estão perfeitamente enquadrados em um comportamento heteronormativo.
Já disse aqui no blog que as telenovelas brasileiras mudaram o modo de representar os gays e lésbicas. Estão valorizando personagens que se enquadram no modelo hétero. Esse movimento também ocorre no “mundo real”, com a atenuação, por exemplo, da distinção entre uma boate gay e uma boate hétero. Isso apenas para ficar em um exemplo. E esse modelo heteronormativo, tanto de gays quanto dos próprios heterossexuais, foi o que dominou a parada. E por isso ela estava chata, chatíssima. É por isso que ela perde força política em prol da diferença. Vira força política em prol do discurso de que somos iguais. Eu não quero ser igual!!! Eu quero é a fechação!!!
Escrito
por
Leandro
às
18h51
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