Os teóricos dos estudos queer se esforçam de várias formas para combater as normas socialmente aceitas e construídas. Uma das principais é o combate a adoção do modelo heteronormativo como o único correto, saudável e aceito. Por isso, boa parte dos primeiros trabalhos trata de apontar que este modelo foi construído para normatizar as relações sexuais. Assim, pretendem desconstruir o argumento de que sexualidade segue um curso natural. “Os estudos queer atacam uma repronarratividade e uma reproideologia, bases de uma heteronormatividade homofóbica, ao naturalizar a associação entre heterossexualidade e reprodução” (Lopes, 2002, p. 24).
Apesar de unidos em uma série de aspectos, movimento gay e teóricos queer nem sempre pensam da mesma maneira. Uma das tensões é a estratégia, adotada por muitos ativistas, de tentar demonstrar que os homossexuais são iguais aos heterossexuais, ou seja, de que todos são “normais”.Para Gamson, a política queer adota uma postura de não assimilação e se opõe aos objetivos inclusivos do movimento por direitos humanos gays dominante. “A política queer (...) adota a etiqueta da perversidade e faz uso da mesma para destacar a ‘norma´ daquilo que é ‘normal´, seja heterossexual ou homossexual. Queer não é tanto rebelar-se contra a condição marginal como desfrutá-la” (Gamson, 2002, p. 151).
GAMSON, Joshua. Deben autodestruirse los movimientos identitarios? Un extraño dilema. In: JIMÉNEZ, Rafael M. Mérida. Sexualidades transgresoras. Una antología de estudios queer. Barcelona: Icária editorial, 2002, p. 141 a 172.
LOPES, Denílson. O homem que amava rapazes e outros ensaios. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2002.