Mais um trecho
Muitos devem ter se perguntado qual a razão do texto abaixo. As diferenças entre teoria queer e movimento gay são interessantes para pensarmos os personagens gays nas telenovelas. Segue outro trecho do texto, que agora terminei. Quem quiser ler a íntegra, é só pedir. Será publicado em uma coletânea de artigos sobre cultura.
De alguma forma, esta tensão entre política queer e movimento gay fica visível na forma como os ativistas gays reagem a determinados personagens homossexuais nas telenovelas brasileiras. Em várias ocasiões, por exemplo, o Grupo Gay da Bahia (GGB) ameaçou processar os autores e a própria emissora em função da existência de personagens homossexuais afeminados e/ou caricatos. Em outras ocasiões, teceu elogios quando as personagens “pareciam normais”, sem afetações. Ainda que seja compreensível a estratégia adotada pelo GGB e outros grupos, nos parece interessante realizar as seguintes provocações: não existem gays afeminados e afetados? Por que eles não podem estar nas telenovelas? Para serem mais aceitos nas telenovelas, os personagens gays necessitam anular as suas diferenças e se comportar dentro de um modelo heteronormativo? As formas mais contemporâneas de representações de gays e lésbicas na televisão em geral não refletem, também, o estágio da própria cultura gay atual, que alguns autores relacionam com uma fase pós-gay ou pós-gueto?
Ao tentar entender a aceitação da personagem Madame Satã, apesar de ser queer no sentido de estranho e diferente, que desafiava as classificações fáceis, James Green reflete sobre as mudanças na própria cultura gay.
A internacionalização da cultura gay gerada nos Estados Unidos e na Europa, na última década, contribuiu para a remodelação das identidades e do comportamento sexual no Brasil. Enquanto há vinte anos atrás os únicos homens hipermasculinos nas áreas de concentração gay das praias de Copacabana e Ipanema eram uns poucos prostitutos e fisiculturistas, hoje em dia as “Barbies” saradas proliferam. Afinal de contas, “Não é um corpo perfeito de Barbie tudo com o que uma “garota” sempre sonhou?”, diz a brincadeira. O tipo homossexual macho – masculino, estiloso e charmoso – ditado pela consumação da classe média tornou-se uma norma, apregoado em revistas pornôs leves e publicações do tipo, com uma orientação mais intelectual. Embora a maioria dos homossexuais brasileiros não tenha recursos econômicos para adquirir todos os equipamentos relacionados a este estilo de vida sexual que ultrapassa a cama, um novo padrão de masculinidade representativa está, aos poucos, se tornando uma norma nos maiores centros urbanos do país (Green, 2003, p. 218).
Escrito
por
Leandro
às
11h51
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