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Reconciliação

Aproveito o fato de eu ter assistido duas peças neste final de semana para continuar a reflexão da mensagem anterior. Fui ver Mestre Haroldo e Ó paí ó. Ambas tratam sobre o preconceito racial. A primeira pretende ser mais sutil e a segunda, como é próprio do Bando de Teatro Olodum, explícita. Eu sempre prefiro as mensagens mais sutis, especialmente no palco ou na arte em geral. A preferência é baseada em uma série de coisas que eu não vou tratar aqui. O que me chamou a atenção é que, desta vez, eu preferi a mensagem mais explícita. E isso me deixou meio inquieto. Por que reagi assim?

 

Inicialmente, pensei que a razão era o péssimo desempenho de um dos três atores de Mestre Haroldo. Estou me referindo ao próprio ator do personagem Haroldo. O menino parece estar ditando o texto, suas expressões são praticamente iguais durante as duas horas da peça. Um horror. O texto é um primor, mas é preciso ter muito talento para interpretá-lo. Pelo menos na sexta passada, o menino não demonstrou ter.

 

Em Ó paí ó, o elenco masculino (tirando o menino que faz a travesti e o gago) também são péssimos atores. Mal conseguem interpretar a si próprios. Fiquei imaginando o Jorge Washington como ator em Mestre Haroldo. Certamente, eu me levantaria antes do final. Na verdade, como disse Ronaldo, ao ver Ó pai ó eu me reconciliei com o Bando. Há uns cinco anos, eu fui ver Cabaré da Raça e fiquei impressionado com o discurso extremamente racista contida em uma peça que pretendia ser anti-racismo. Imagina o que aconteceria comigo se eu dissesse, em uma peça, que todos os negros são filhos da puta. Pois eles dizem isso dos brancos. Haviam me dito que Ó paí ó seguia a mesma tendência. Por isso, fui com cuidado.

 

Em alguns momentos, parece que o texto vai seguir Cabaré, mas depois o que se vê é uma Bahia escrita em baianês, que faz rir, pensar e virar parceiro de luta. Cabaré não faz rir e não aglutina. Mestre Haroldo poderia fazer pensar e conquistar seguidores, mas para isso precisaria trocar pelo menos um dos atores.

 

***

 

A propósito: como um gaúcho que não conhece Salvador vai conseguir entender o filme Ó paí ó?



 Escrito por Leandro às 19h46
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