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Livros e dores

Nas minhas férias de janeiro, li o livro Dentro da floresta, coletânea de perfis escritos pelo atual editor da New Yorker, David Remnick. Um dos perfis é de Philip Roth. Semanas depois, comprei dois livros antigos dele, no Berinjela. Esta semana, terminei de ler Patrimônio. A história começa no dia em que o escritor precisa revelar ao pai que ele (o pai) tem câncer.

 

Eu quase nunca escrevo sobre minha vida neste blog, mas a leitura deste livro me motivou a romper esta regra que eu mesmo criei. Meu pai morreu em outubro passado, vítima de um câncer. Por isso, o livro mexeu comigo, muito. Apesar de realidades bem distintas, a história minha e de meu pai e a de Roth e o seu pai são similares em vários aspectos. Um dos trechos mais tocantes é quando ele narra um dia em que o pai se cagou todo. Ali estava o fim e o título do livro, que sugiro para todos que já perderam seus pais, seja por câncer ou não. Roth, assim como nós, também precisamos decidir entre operar e não operar. Optamos por não operar e carregamos para sempre a pergunta: e se tivéssemos operado?

 

Em outro trecho, o escritor diz coisas para o seu pai, que já estava inconsciente em uma cama. Ele diz estar aliviado porque todas aquelas coisas ele já havia dito ao pai consciente. E eu? Não posso dizer o mesmo.

 

Outro dia falo de outro livro que acabei de ler: Entre nós, contos sobre a homossexualidade. Lindo, leiam. Bem menos doloroso.



 Escrito por Leandro às 16h04
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