Felizes olhares para 2008
Passei dez dias no Rio Grande do Sul e na volta encontrei outra Salvador. A cidade está em clima de carnaval, festas pululam por todos os cantos e eu não estou em férias. Na primeira parada gay do ano (Miguel diz que existem três: o pôr do sol de Daniela, o 2 de Julho e a parada oficial), deu para perceber, além da péssima qualidade do som não registrada por nenhum jornalista, que o povo tá sedento por carnaval. E eu, acho, também.
E 2008 promete ser mais queer. Estamos criando um grupo de pesquisa sobre o assunto na Facom. Talvez assim o olho queer passe a ver mais coisas por aqui. Se alguém ainda anda vezenquando por acá, aguardem. Nos próximos dias, quero escrever sobre o novo livro do Risério, A utopia brasileira e os movimentos negros. Entre outras coisas, ele faz a relação entre racismo e movimentos negros no Brasil e nos Estados Unidos. Seria interessante fazer o mesmo para refletir sobre a homofobia e os movimentos gays brasileiros e americanos, não é? Risério também me fez pensar novamente sobre o perigo de adotar teorias de outros países para analisar a realidade brasileira. Várias pessoas já me questionaram sobre isso em relação a teoria queer.
Engraçado é que comecei a ler este livro na minha ida ao RS e, num sebo de Porto Alegre, encontro um dos primeiros livros do Silviano Santiago, O olhar, que começa assim: "Só um negro é capaz de te satisfazer". Óbvio que deixei o baiano de lado e devorei o olhar astucioso do mineiro. Para finalizar, Miguel me presentou com um livro de 905 páginas, As benevolentes, de Jonathan Littell. Na página 76, diz: “E foi assim, com o cu ainda cheio de esperma, que resolvi entrar para o Sicherheitsdienst”. Sicherheitsdienst significa o “serviço de segurança” da SS nazista. É o olhar do americano tentando me seduzir. Tá na fila.
Escrito
por
Leandro
às
12h03
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