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Duas boas novidades

O jornal argentino Página 12 publicou hoje um suplemento Gay, chamado Soy. Ainda não descobri se o suplento será fixo. Leiam em http://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/soy/index_x.html
A matéria de capa diz: Los históricos errores de traducción de la Biblia que condenan a la homosexualidad. Isso em plena sexta feira santa. Eu vou comer picaaaaaaaaaaaaaaaanhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.
Ao ler o suplemento, eis que encontro uma nota sobre um evento acadêmico sobre estudos queer no México. Pena que está rolando neste final de semana. Vejam o site do encontro em http://www.enkidumagazine.com/eventos/qses/intro_es.htm. Tem toda a programação lá, e parece muito legal. Eu sempre procurei muito sobre estudos gays na América Latina e nunca tinha encontrado nada.

 Escrito por Leandro às 18h17
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Eu, um militante

Dois rápidos comentários sobre homossexualidade e televisão:

 

1)      Eu acho que esta edição do Big Brother é uma das mais desinteressantes já vistas. Os participantes são completamente desinteressantes. A exceção foi o urso Marcelo. Apesar de  ser chatíssimo, despertava a atenção exatamente por ser chato. Um chato meio louquinho, muitas vezes. Mas eu confesso que adorei ver ele dizendo algumas coisas na cara das pessoas. Sou meio assim também. Na maioria das vezes, cuspo na cara das pessoas aquilo que penso. Isso ocorre especialmente quando estou estressado e/ou quando bebo. Nos últimos tempos, tenho pensado muito sobre essas minhas atitudes. Às vezes, tenho vontade de mudar e ficar calado. Outras, tenho vontade de radicalizar ainda mais as minhas falas. Por enquanto, fico no meio termo, posição que igualmente não me agrada. Voltando ao Marcelo: ao contrário de muitos gays “militantes” (outro dia fui chamado de militante por uma pessoa que, com isso, queria me criticar), eu acho ótimo o Marcelo ficar transitando com a sua orientação sexual. Hoje li que ele revelou que Bial faz o seu tipo. Ontem li que ele está a fim de namorar a menina do Big Brother (não lembro o nome da dita).

2)      O mesmo trânsito nas orientações sexuais pode ser vista na novela Duas Caras. De todas as novelas da Globo que abordaram a homossexualidade, sem dúvida essa é a mais ousada. Neste ponto, ponto pra biba Aguinaldo Silva (tenho sérias críticas a outros aspectos da novela, a exemplo da favela idealizada e do seu líder populista, assim como as péssimas atuações de um bando de atores). A novela tem um gay afeminado (estereotipado, segundo os “militantes”) que é um verdadeiro batalhador e que vive um triângulo amoroso com um outro cara e uma menina. E o triângulo é explicitado na novela, não é algo que apenas poucos percebem. Tanto que uma das cenas mais interessantes, que provocou polêmica, é a tentativa de linchamento dos dois meninos por um grupo de evangélicos. Essa cena e a polêmica, por si só, rendem um bom e longo texto. Agora, apenas quero destacar que Marcelo e Bernardinho, para horror dos “militantes”, colaboram muito para borrar as fronteiras de gênero e para combater a heteronormatividade e a homonormatividade. E isso é muito interessante. Essa questão e qualquer tipo de manifestação homofóbica fazem parte da minha militância.

 



 Escrito por Leandro às 09h42
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Texto do Mais de hoje

Pessoas, estou em falta com o blog. O texto abaixo foi publicado no Mais de hoje. Fiquei pensando: será que as práticas homossexuais são tão diferentes aqui no Brasil (e na Bahia em particular) do que no islã?


Viagens insólitas

Lançado no Reino Unido, livro compara as práticas homossexuais no islã e no Ocidente

PAUL BURSTON

Como acontece com muitos ocidentais, meus conhecimentos sobre o mundo muçulmano são limitados. Minha única experiência em primeira mão diz respeito a uma viagem a Dubai, onde o homossexualidade é ilegal e o clima de homofobia é dominante. Como todo mundo, já ouvi as histórias de terror vindas do Irã e da Arábia Saudita.
Portanto, devo confessar que, quando me vi diante de um livro intitulado "Gay Travels in the Muslim World" [Viagens Gays no Mundo Muçulmano, org. Michael T. Luongo, ed. Routledge, US$ 19,95, R$ 33], minha primeira reação foi pensar "para quê?". Por que não simplesmente viajar para outro lugar?
A realidade, é claro, é que aquilo a que comumente nos referimos como "o mundo muçulmano" não é algo monolítico. Como mostra esta coletânea de histórias da vida real, existem muitas maneiras de ser muçulmano.
Há a história do simpático rapaz judeu que vai viver na Mauritânia, na África, e transa com homens locais, nenhum dos quais tendo se identificado como sendo gay. Há o homem em Bangladesh que percorre os pontos quentes locais e descobre um mundo de prostituição e quartos alugados por menos de US$ 1 por hora.
Há o próprio editor no Afeganistão, onde se surpreende ao descobrir que, mesmo sob o regime do Taleban, aconteciam cerimônias de casamento entre gays em Kandahar.
E há o serviço militar prestado por um soldado gay no Iraque e seu comovente encontro com um homem a quem chama de "o iraquiano gay".

Identidade
Luongo provavelmente discordaria da idéia de um "iraquiano gay". Em sua introdução, destaca que "existe uma diferença tremenda entre os modos como a homossexualidade é expressa no mundo ocidental e no mundo islâmico".
"Para simplificar uma questão muito complexa, na Europa, nos EUA e em lugares sob a influência ocidental, o desejo e os atos homossexuais se tornam a própria definição de uma pessoa: criam uma identidade que a separa do resto da sociedade.
Em boa parte do mundo islâmico, o desejo e os atos homossexuais são simplesmente um aspecto entre outros, algo que as pessoas fazem, mas não algo que define uma pessoa mais que qualquer outra característica sua."
Devo dizer que esse argumento não me convence inteiramente. As pessoas que se identificam como gays não necessariamente se isolam do resto da sociedade, não mais do que as pessoas que são muçulmanas automaticamente se distanciam das que não o são.
Muitos gays vivem integrados de maneira feliz com seus amigos e familiares heterossexuais, assim como muitos muçulmanos vivem integrados às comunidades maiores em que vivem. E, pelo menos em cidades como Londres, existem homens e mulheres que são tanto muçulmanos quanto abertamente gays.

Repressão
A recusa da identidade gay não é expressão de livre escolha, mas sintoma de opressão. Imagino que algo semelhante deva acontecer em países mais repressivos, em que as paradas de orgulho gay são proibidas e a homossexualidade é um tabu tão grande que sua própria existência é negada. Há poucos meses o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad declarou diante de uma platéia universitária em Nova York: "No Irã não temos homossexuais como vocês têm em seu país".
E pode ser que realmente não os tenham. Talvez tenham homossexuais que têm medo demais para assumir publicamente sua condição, como fazem os americanos, e que optam por enxergar-se como "homens que transam com homens", porque, francamente, essa é sua única chance de sobrevivência.
Mas eles sobrevivem, e suas histórias são uma leitura esclarecedora. Este livro não me levou a mudar meus planos para as férias, mas me fez refletir seriamente sobre o significado de ser gay e muçulmano. E isso com certeza constitui um passo na direção certa.


Este texto foi publicado no "Independent". Tradução de Clara Allain .

ONDE ENCOMENDAR - Livros em inglês podem ser encomendados pelo site www.amazon.com



 Escrito por Leandro às 08h58
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