Ser mãe é um saco?
Hoje é Dia das Mães e eu acabei de ligar para a minha. Mas, desde o início da semana, estava pensando em escrever um texto decente para problematizar um pouco a maternidade. Não tive tempo e não farei isso aqui. Se o fizesse, escreveria algo assim: Outro dia, bebendo com uma amiga que é mãe, ela falou sobre o quão difícil, sofrido e trabalhoso é ser mãe. Normalmente, o que se ouve falar é o quão lindo é ser mãe. E as propagandas da semana apenas reforçaram esse discurso. Na teoria queer, divers@s autor@s criticam duramente o fato do movimento feminista mais tradicional ter se apropriado do discurso da maternidade para transformar essa “diferença” em relação aos homens em ganhos políticos. Wittig, materialista, ao contrário, por exemplo, diz que as mulheres foram e são usadas para reproduzir, para atender aos interesses do sistema capitalista. Butler, de forma diferente, questiona o quanto esse discurso do movimento feminista exclui as mulheres que não desejam ser mães, como é o caso de muitas lésbicas. Faz parte do projeto dela de criticar a categoria de mulher adotada pelo movimento feminista dominante. Enfim, penso que ser mãe, para as mulheres, é quase uma necessidade, virou compulsório, assim como a heterossexualidade. Tenho uma cunhada que está a anos querendo ser mãe e não consegue. Ela sofre por isso, especialmente com a cobrança da família. A cada dia, ela ouve: "e quando você vai ser mãe?" Um dia perguntei para ela: "Você precisa mesmo ser mãe? Só assim vai ser feliz?" Ela disse, depois de pensar: "acho que você tem razão". O que quero dizer é que esse discurso de que ser mãe é maravilhoso não sobrevive a dois minutos de bate-papo um pouco mais sério com as mulheres.
Escrito
por
Leandro
às
17h28
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